Boletim Técnico
Análise Sinótica: 17/08/2017-00Z
Nível 250 hPA
Na análise da carta sinótica de 250 hPa da 00 UTC do dia 17/08, nota-se uma circulação anticiclônica centrada sobre o norte da BA, que estende uma ampla crista para oeste e influencia boa parte do norte do continente. Sobre o extremo norte e oeste da Região Norte do Brasil observa-se difluência no escoamento, associada a este anticiclone, o que gera divergência neste nível e favorece a convergência em baixos níveis. Este padrão citado, na presença de uma massa de ar quente e úmida, forma nuvens convectivas, as quais podem ser vistas na imagem de satélite. Ao sul de 20°S sobre o continente e em parte dos oceanos, observa-se a atuação do Jato Subtropical (JST) e mais ao sul nota-se um cavado, contornado pelo ramo norte do Jato Polar (JPN), oferecendo suporte dinâmico ao sistema frontal presente em superfície. Este padrão se estende para parte do Atlântico, onde é contornado pelo ramo sul do Jato Polar (JPS) e dá suporte a outro sistema frontal de fraca intensidade.
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Nível 500 hPA
Na análise da carta sinótica de 500 hPa da 00 UTC do dia 17/08, observa-se o predomínio da circulação anticiclônica sobre parte do Centro-Oeste, interior nordestino e parte do Sudeste, além do sul da Região Norte do Brasil. Esse padrão de escoamento, típico para esta época do ano, favorece à subsidência forçada do ar, que inibe a formação de nebulosidade significativa sobre grande parte do interior do Brasil. Além disso, a subsidência forçada do ar gera aquecimento por compressão adiabática e o entranhamento de ar mais seco para as camadas mais baixas. Isto resulta em aumento das temperaturas em superfície na parte da tarde e diminuição da umidade relativa do ar, com valores que ficam pontualmente abaixo de 30% ou até dos 20%. Mais ao norte, o escoamento é zonal, o que de certa forma, favorece a convergência de umidade. Observa-se o escoamento de oeste, com ondas mais curtas embebidas no escoamento mais amplo de oeste em parte do centro-sul do Brasil. Este padrão é o principal causador das áreas de instabilidade observadas no setor comentado. Ao sul de 30°S o escoamento é mais baroclínico, com ventos e gradiente de altura geopotencial mais intensos. Este padrão é reflexo do cavado frontal contornado pelo JST e JPN em altitude.
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Nível 850 hPA
Na análise da carta sinótica de 850 hPa da 00 UTC do dia 17/08 nota-se um escoamento de leste proveniente do Atlântico em direção ao norte do continente que converge em setores como no norte e oeste da Região Norte do Brasil, que acoplado ao escoamento difluente comentado em altitude, favorece a formação de nuvens convectivas. Parte deste escoamento ao encontrar a barreira dos Andes direciona-se para sul em áreas do centro-sul do Brasil e transporta ar relativamente mais quente e úmido, o que colabora para instabilizar pontos deste setor, junto com o padrão comentado principalmente em 500 hPa. Ao sul de 35°S, aproximadamente, nota-se o escoamento mais baroclínico e entre 60°W e 50°W observa-se o reflexo do sistema frontal comentado nos níveis acima, favorecido pelo cavado frontal e JPN em altitude. Observa-se a presença de ar mais frio, delimitado pela isoterma de 0°C no Oceano Pacífico Sul, na costa chilena, sul da Argentina e no Oceano Atlântico Sul ao sul de 35°S, aproximadamente.
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Superfície
Na análise da carta sinótica de superfície da 00Z do dia 17/08, observa-se uma frente fria atuando de forma litorânea próximo do RS , sobre o Atlântico. Uma outra frente fria é observada sobre o Oceano Atlântico ao sul do paralelo de 50°S. Observa-se também uma frente fria atuando ao sul do paralelo de 40°S no Oceano Pacífico que estende-se pelo Oceano Atlântico, passando pelo extremo sul da Argentina e Chile, até ao centro de baixa pressão de 976 hPa abaixo de 60°S. Observam-se cavados sobre as Províncias de Chubut e Rio Negro, assim como no Oceano Atlântico. Observa-se sobre áreas da Região Sul uma alta migratória com valor de 1020 hPa. Sobre o Oceano Atlântico observa-se a crista associada à Alta do Atlântico Sul com valor de 1020 hPa. A Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) tem centro de 1028 hPa, em torno de 33°S/88°W. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atua em torno de 08°N/10°N no Oceano Pacífico e no Oceano Atlântico.
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Previsão
Nesta quinta-feira (17/08), o avanço de um sistema frontal pelo Oceano deverá contribuir para manter essa área preferencial das instabilidades, associadas ao fluxo baroclínico de oeste em 500 hPa. A chuva deverá apresentar um caráter mais contínuo com intensidade fraca a moderada em alguns pontos de SP, MS e norte do PR. Não se descarta a ocorrência de acumulados significativos de chuva, principalmente no Estado de SP, inclusive, na Região Metropolitana de SP. A partir da tarde as instabilidades podem se intensificar também na Serra da Mantiqueira, Vale do Paraíba, Litoral Norte de SP, e centro-sul do RJ, incluindo a Região Metropolitana e Região dos Lagos. Nestas áreas as temperaturas máximas deverão ficar baixas devido a nebulosidade e chuva constante. Na sexta-feira (18/08) a tendência é que a organização da instabilidade comece a se quebrar um pouco devido ao deslocamento da convergência do fluxo de umidade mais para o Oceano, e ao avanço das ondas curtas em 500 hPa para leste. No entanto, ainda deverá haver chuva em grande parte de MS, do PR e, principalmente, em SP, porém com nebulosidade variável e já com alguns períodos curtos de aberturas de sol e gradual elevação das temperaturas máximas. No sábado (19/08) a tendência é que algumas perturbações de ondas curtas, embebidas no fluxo de oeste na atmosfera média sigam atuando entre o PR, SC e norte do RS, onde poderão ocorrer algumas pancadas de chuva localmente fortes, que poderão vir acompanhadas de rajadas de vento e ocasional queda de granizo. Uma nova frente fria deverá chegar ao fim do dia na Região Sul do país, com isso deverá ocorrer alguma atividade pré-frontal em grande parte do RS. Este sistema apresentará uma incursão mais meridional e no domingo (20/08) deverá chegar até latitudes mais baixas, podendo causar, inclusive, o fenômeno da friagem em pontos do MT, RO e AC. Os modelos de previsão de tempo indicam queda significativa de temperatura associado a passagem dessa nova frente fria nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste., inclusive com chance para ocorrência de geada na região da Campanha, no RS. Entre a quinta-feira e a sexta-feira, a massa de ar seco ainda dominará grande parte do centro-norte do Brasil, deixando o dia com pouca nebulosidade e temperaturas elevadas, assim como serão observados baixos valores de umidade relativa do ar. O tempo seguirá com nebulosidade variável na costa leste do Nordeste com chance de chuva maior entre o Recôncavo Baiano, litoral de SE e litoral sul de AL. Os modelos Globais apresentavam discordância quanto a este sistema frontal entre o sábado e domingo. O GFS indicava a formação de uma nova onda, enquanto o modelo BAM indicava uma frente fria alongada por uma área de cavamento sem formação de uma nova onda. Nas últimas 24h o GFS se aproximou da resolução do modelo BAM para a previsão de 96h e agora indica apenas o avanço do sistema frontal, sem a formação de uma nova Onda Frontal.

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