Boletim Técnico
Análise Sinótica: 24/06/2017-00Z
Nível 250 hPA
Na análise da carta sinótica de 250 hPa da 00 UTC do dia 24/06, nota-se o predomínio de circulação anticiclônica sobre grande parte do continente sul-americano. Nota-se difluência no escoamento na próxima a latitude de 0° e também sobre o centro-norte do AM. Esta difluência gera divergência de massa que intensifica a convergência em baixos níveis no norte do AM, RR,AP e países vizinhos. O escoamento apresenta um cavado com o eixo desde o sul do TO ao Atlântico e tem o Jato Subtropical (JST) contornando o mesmo no oceano. O JST encontra-se acoplado ao ramo norte do Jato Polar (JPN) sobre o Oceano Pacífico onde apresentam curvatura ciclônica associada ao contornarem o cavado frontal observado na carta de superfície. Sobre o centro-sul do continente, o escoamento do JST, do JPN e do ramo sul do Jato Polar (JPS) favorecem a presença da nebulosidade observada sobre esta região na imagem de satélite. O JPS fornece o suporte dinâmico ao sistema frontal que atua na Argentina.
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Nível 500 hPA
Na análise da carta sinótica de 500 hPa da 00 UTC do dia 24/06, nota-se o escoamento anticiclônico dominando o centro-norte do Brasil, cujo centro está localizado no norte de MT, esse sistema contribui para a subsidência do ar, resultando em pouca nebulosidade do oeste da BA ao centro do AM, no Centro-Oeste e interior do Sudeste. Além disso, a subsidência gerada por esta circulação gera aquecimento adiabático e contribui também para os baixos índices de umidade relativa do ar observados sobre parte desta regiaõ. Outro anticlone atua com centro sobre o Oceano Atlântico e emite uma crista sobre o leste da Região Sul e SP, fator que dificulta a formação de nebulosidade significativa sobre estas áreas. Um Vórtice Ciclônico (VC) atua no Oceano Atlântico e contribui para a nebulosidade entre o ES e o sul da BA. Há forte baroclinia no escoamento no continente e Oceano Atlântico, ao sul de 35°S, onde nota-se forte gradiente de geopotencial e a presença de ventos intensos associados ao aprofundamento da corrente de jato de altitude.
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Nível 850 hPA
Na análise da carta sinótica no nível de 850 hPa da 00 UTC do dia 24/06, nota-se que o escoamento anticiclônico associado a presença da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) domina o padrão de circulação sobre grande parte do continente. Entre o ES, costa leste do Nordeste e o interior nordestino, o predomínio do intenso escoamento de sudeste/leste auxilia na formação de nebulosidade baixa e chuvas persistentes como observado na imagem de satélite. Na borda oeste desta circulação nota-se intenso escoamento de norte associado ao Jato de Baixos Níveis (JBN) que transporta ar relativamente mais quente para o Paraguai, norte da Argentina, Uruguai e parte da Região Sul e converge próximo ao Rio da Prata onde obseva-se o sistema frontal na carta de superfície. Nota-se a presença de ar frio restrita ao extremo sul do continente sinalizada pela isolterma de 0°C neste nível (linha preta sólida).
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Superfície
Na análise da carta sinótica de superfície da 00Z do dia 24/06, observa-se a presença de uma frente estacionária do leste ao oeste da Argentina e o ramo frio atua do litoral da Província de Buenos Aires, na região de Mar del Plata, ao Atlântico sul até um ciclone de 968 hPa, que está localizado em 60 °S/48°W. Um cavado atua no centro da Argentina e está associado a Baixa do Chaco (BCH), que tem o centro de 1008 hPa no norte da Argentina. Um cavado invertido atua nas proximidades do litoral do Nordeste. A Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) tem valor de 1036 hPa em torno de 36°S/23°W, a sul de sua posição climatológica. Observa-se um sistema frontal no Pacífico, associado a um ciclone extratropical no valor de 982 hPa em torno de 33°S/86°W. A Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) encontra-se com núcleo de 1032 hPa, fora do domínio desta figura. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atua em torno de 08°N/09°N no Oceano Pacífico e 05°N/08°N no Oceano Atlântico.
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Previsão
Neste sábado (24/06), a circulação do quadrante leste, associada a Alta Subtropical do Atlântico Sul, manterá uma condição de tempo instável e com chuvas alternadas com períodos de melhorias na faixa litorânea entre o norte do RJ ao RN. Localmente, a persistência da precipitação, poderá resultar em acumulados significativos de precipitação ao final do dia, principalmente entre AL e RN. No norte da Região Norte e no extremo norte do MA e do PI a divergência do escoamento em altos níveis aliada a termodinâmica favorecerá a ocorrência de pancadas de chuva ao longo do dia que, localmente, poderão ser intensas e vir acompanhadas de descargas elétricas. Na maior parte do Brasil, a atuação de uma massa de ar mais seco propiciará mais um dia com predomínio de sol e pouca nebulosidade. Destaca-se a faixa entre o Centro-Oeste, oeste de MG, TO e interior do Nordeste onde o período da tarde será marcado por baixos índices de umidade relativa do ar com valores próximos ou inferiores a 30%. Nos próximos dias, o padrão de bloqueio persistirá e, com isso, não ocorrerão variações significativas das condições de tempo na maior parte do Brasil. A chuva mais intensa seguirá concentrada entre o extremo norte do Brasil e na faixa leste do Nordeste. No litoral nordestino a precipitação ganhará força nos próximos dias e poderá resultar em volumes elevados de precipitação com potencial para transtornos em alguns pontos. A atividade frontal seguirá confinada ao sul de 35°S e, com isso, também não ocorrerão grandes variações nas temperaturas. Os modelos se comportam de forma coerente, mantendo a previsão de bloqueio para o centro-sul do país e chuvas na faixa leste do nordeste pelo menos até a metade da próxima semana.

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