Boletim Técnico
Análise Sinótica: 15/12/2017-00Z
Nível 250 hPA
Na análise da carta sinótica de 250 hPa da 00 UTC do dia 15/12, observa-se a circulação típica de verão em altitude, com a presença da Alta da Bolívia, em sua posição climatológica, centrada nesta análise na Bolívia, e o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) sobre o Atlântico com centro de 10920 mgp, à leste do Nordeste, deslocado para leste de sua posição climatológica. Na interface entre estes sistemas tem-se difluência no escoamento, que produz a divergência de massa e colabora para a manutenção da Zona de Convergência do Atlântico Sul em superfície. Ao sul de 15°S aproximadamente, observa-se um cavado com o eixo de GO ao RJ, que favoreceu a instabilidade em MG e em GO. Observa-se um cavado desde o norte da Argentina, passando no sul do RS e seguindo no Atlântico, o qual é contornado pelo Jato Subtropical na vanguarda, e também pelos ramos norte e sul do Jato Polar na sua retaguarda. No Pacífico há outro VCAN com 10800 mgp centrado em 20°S/93°W.
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Nível 500 hPA
Na análise da carta sinótica de 500 hPa da 00 UTC do dia 15/12, observa-se um centro anticiclônico atuando do Pacífico, passando no norte do Chile e da Argentina até o norte do PR, que prolonga a crista em direção ao litoral sul de SP e o oceano adjacente. Esse sistem gera subsidência do ar e aquecimento pelo entranhamento para camadas mais baixas, deixando as temperaturas em superfície acima de 40°C no norte da Argentina e do Paraguai. O cavado de 250 hPa se aprofunda para esse nível e tem seu eixo entre o leste do Paraguai e o litoral norte do RS e segue para sul no Atlântico. O escoamento no Sudeste encontra-se perturbado ciclônicamente pela presença de cavado, que contribuiu para pancadas de chuva no centro de GO, em MG e no ES. Um cavado invertido tem seu eixo atuando do Atlântico norte ao MA, e auxilia na instabilidade em parte do oeste do Nordeste e no PA. Uma crista influência a faixa leste do Nordeste deixando a região com subsidência do ar e por isso há pouca nebulosidade nesse setor. Observa-se um escoamento baroclínico, favorecido pela atuação do Jato Polar em altitude, ao sul de 40°S aproximadamente, com gradiente de altura geopotencial significativo e ventos intensos de oeste.
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Nível 850 hPA
Na análise da carta sinótica de 850 hPa da 00 UTC do dia 15/12, observa-se o escoamento confluente desde o AM até MG. Este padrão confluente do escoamento, menos definido em relação à análise anterior, é favorecido pelo padrão citado em altitude e nível médio e está associado à ZCAS, que começa a enfraquecer. Um cavado atua desde o nordeste da Argentina, passando no litoral sul do RS e prosseguindo para o Atlântico. Esse sistema contribuiu para a nebulosidade em no RS, nordeste da Argentina, leste do Paraguai, em SC e no PR, provocando pancadas de chuva isoladas. O anticiclone subtropical do Atlântico sul (ASAS) tem o centro de 1580 mgp localizado em 33°S/28°W, aproximadamente, e estende um crista em direção à BA. O escoamento ao sul de 40°S tem forte baroclinia desde o Pacífico ao Atlântico, que está associado a cavados e também de uma ampla área ciclônica, que atua na Antártica. O anticiclone subtropical do Pacífico sul (ASPS) tem valor de 1570 mgp localizado nas proximidades de 33°S/98°W.
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Superfície
Na análise da carta sinótica de superfície da 00 UTC do dia 15/12, observa-se a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) desde o sul do PA, nordeste de MT, sul do TO, norte de GO, extremo norte de MG, sul da BA, extremo norte do ES e Oceano Atlântico adjacente. Sistema frontais transientes atuam a sul de 45°S tanto no Atlântico Sul quanto no Pacífico Sul. Um sistema de alta pressão com características subtropicais atua com núcleo de 1020 hPa sobre o Atlântico Sul. A Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) apresenta núcleo de 1024 hPa, centrada em aproximadamente 32°S/89°W. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atua em torno de 07°N/09°N no Oceano Pacífico e em torno de 05°N/07°N no Oceano Atlântico.
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Previsão
Nesta sexta-feira (15/12) ainda se perceberá um resquício da ZCAS, com uma banda de nebulosidade e chuva entre o AM, norte de MG e o ES, seguindo pelo Atlântico adjacente, porém de forma mais desorganizada. Simultaneamente, um cavado em altitude visto na análise na Região Sul do Brasil, se deslocará em direção ao Sudeste e favorecerá áreas de instabilidade a partir da tarde. Entre o sábado e o domingo, um significativo cavado frontal, com suporte do Jato Polar se deslocará desde a Argentina até o RS nestes dois dias. Com o avanço do sistema frontal sobre áreas com temperaturas muito elevadas entre o centro-norte da Argentina, Uruguai e RS, a tendência é que haja forte instabilidade nestes setores, principalmente sobre a Argentina, com condição para temporais, granizo e acumulados de chuva, que deverá trazer grandes impactos à população. Com o avanço deste sistema frontal, o escoamento em 850 hPa mudará significativamente e estará desde a região da ASAS, com ventos de leste na faixa norte do continente, onde encontra a barreira dos Andes e se direciona para a região da frente fria forte. Com isto, a instabilidade mais significativa migrará gradativamente para o setor mais oeste do continente, interior e parte da Argentina e Uruguai primeiramente, após para a Região Sul do Brasil. Este padrão deverá começar a se estabelecer principalmente a partir do domingo. O sistema frontal não avançará para latitudes mais baixas e deverá se deslocar para leste de forma mais oceânica. O sistema permanecerá estacionário uns dois dias em direção à SC. Simultaneamente entre o sábado e o domingo, outro cavado em altitude avançará desde o PR em direção ao Sudeste, se acoplando ao primeiro cavado comentado, que já atua na análise. Desta forma, haverá a amplificação do cavado em altitude, principalmente no sábado, reforçando as áreas de instabilidade em parte do Sudeste, entre o sul de MG, parte de SP, do RJ e MS. Nos dias subsequentes este cavado se deslocará para nordeste e deverá se acoplar ao VCAN do Nordeste, que está mais a leste de sua posição climatológica. Porém, com este acoplamento, o VCAN atuará, a partir de domingo, aproximadamente em sua posição normal. Assim como também a Alta da Bolívia atuará mais próxima de sua posição normal. Com a atuação do VCAN mais próxima do continente e a mudança do escoamento em 850 hPa, aumentará a instabilidade na faixa leste do Nordeste, com condição para pancadas de chuva, principalmente no domingo, se propagando nos dias subsequentes, mas de forma mais fraca. A principal diferença entre os modelos de previsão de tempo BAM e GFS é em relação ao sistema frontal mencionado. O modelo BAM indica, apesar de forte também, o sistema relativamente mais fraco e mais atrasado em relação ao modelo GFS. A instabilidade e os acumulados de chuva indicados pelo modelo BAM são bem menores e relação ao modelo GFS.

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