Boletim Técnico
Análise Sinótica: 27/03/2017-00Z
Nível 250 hPA
Na análise da carta sinótica de 250 hPa da 00 UTC do dia 27/03, observa-se um predomínio anticiclônico sobre o centro-norte do continente, associado a presença da Alta da Bolívia (AB), este padrão gera difluência ao longo da bordas deste sistema, o que gera divergência de massa nesta camada e consequente convergência nos níveis inferior da troposfera, o que associado ao aquecimento diurno favoreceu o desenvolvimento convectivo, verificado pela imagem de satélite, principalmente entre o Centro-Oeste, Norte e norte da Região Nordeste do Brasil , parte da Bolívia e Peru. Observa-se um amplo cavado que estende-se desde o Sul e Sudeste do país, contornado pelo Jato Subtropical (JST), que prolonga-se também pela costa leste do Nordeste. Este cavado favoreceu o aumento de nebulosidade em parte das Regiões Sul, Sudeste e Nordeste. No Oceano Pacífico, observa-se dois cavados e um deles bem próximo à costa do Chile, contornado pelo ramo norte do Jato Polar (JPN) e pelo JST. No Oceano Atlântico, observa-se outro cavado contornado pelo ramos norte e sul do Jato Polar, oferecendo suporte dinâmico ao sistema frontal que encontra-se no Oceano Atlântico à leste de 40°W.
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Nível 500 hPA
Na análise da carta sinótica de 500 hPa da 00 UTC do dia 27/03, assim como na análise de altitude, observa-se um predomínio anticiclônico sobre grande parte do centro-norte do continente, também sobre a Bolívia e Paraguai. Essa configuração gera sobre essas regiões subsidência forçada do ar, o que dificulta a formação de nebulosidade sobre essas áreas. No entanto como já comentado na análise de 250 hPa, a termodinâmica e o padrão em altitude conseguiram quebrar essa barreira gerando nebulosidade em algumas áreas. Ao sul de 25°S nota-se um padrão de circulação ciclônico, com cavados sobre o Atlântico e o Pacífico, reflexo do padrão em altitude. Nas latitudes ao norte do paralelo de 10°S, observa-se um escoamento zonal de leste sobre grande parte do setor mais ao norte da Região Nordeste e Norte. As áreas em tons de verde estão associadas aos fortes ventos em altitude.
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Nível 850 hPA
Na análise da carta sinótica no nível de 850 hPa da 00 UTC do dia 27/03, observa-se um escoamento anticiclônico sobre o leste e centro do Brasil e que está associado a alta pressão presente na carta de superfície. Um anticiclone no Atlântico com centro em torno de 40°S/50°W, contribui para direcionar o escoamento do quadrante leste/nordeste sobre o litoral da Região Sul e sul de SP. Entre o AP, nordeste do PA e litoral norte do Nordeste, nota-se a intensificação do escoamento de leste como reflexo da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Escoamento de baixos níveis oriundo da Amazônia, chegam ao Paraguai e centro-norte da Argentina reforçando as instabilidades nestas áreas. Sobre o Oceano Pacífico, observa-se uma circulação ciclônica à costa do Chile.
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Superfície
Na análise da carta sinótica de superfície da 00Z do dia 27/03, notam-se sistemas frontais transientes no Pacífico e no Atlântico, ao sul de 45°S. Uma área de baixa pressão pode ser vista sobre o Atlântico com isóbara de 1012 hPa, a sudeste do RJ. Uma baixa pressão oclusa atua próxima à costa chilena.Um cavado atua sobre o RS. Observa-se um anticiclone, com características de bloqueio, em torno de 41°S/40°W com valor de 1024 hPa. A Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) tem núcleo de 1028 hPa à oeste de 95°W. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atua com banda dupla sobre o Oceano Pacífico, uma em torno de 03°S/05°S e a outra em torno de 03°N/05°N. No Oceano Atlântico, a ZCIT atua entre a linha do equador e 03°N.
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Previsão
Nesta segunda-feira (27/03), o padrão difluente nas correntes de ar em altitude, associado à termodinâmica, deverá manter instabilidade em áreas das Regiões Norte, Centro-Oeste, Minas Geria e Espírito Santo, em algumas áreas destas localidades inclusive a chuva poderá ser de forte intensidade, acompanhadas de grande quantidade descargas elétricas, rajadas de vento e pontuais acumulados significativos de precipitação. Na faixa leste do país entre entre o sul de SP, PR, SC e o nordeste do RS a advecção de umidade do oceano deverá manter o dia ainda com condições para chuva de fraca intensidade de forma isolada. Nas demais áreas do país o predomínio anticiclônico ao longo da coluna atmosférica dificulta a formação de nebulosidade e a consequente ocorrência de chuva. No entanto, a partir da tarde a termodinâmica poderá romper esta barreira e pancadas de chuva devem ocorrer principalmente em áreas de SP e RJ. Nos próximos dias, pelo menos até a próximo sábado (01/04), o padrão de circulação não deverá sofrer mudanças muito significativas, segue o padrão característico de bloqueio, o que deverá impedir que sistemas frontais avancem sobre o continente. Esse padrão deverá manter grande parte do centro-sul do continente com pouca chuva ao longo desta semana. Contudo, a manutenção e a amplificação do cavado em altitude deverá favorecer a formação de um canal de umidade entre o extremo sul da Região Amazônica, centro-norte de ES e centro-sul da BA, o que deverá gerar condições favoráveis para manutenção das chuvas sobre estas áreas, pelo menos entre a próxima terça-feira (28/03) e a sexta-feira (29/03), inclusive com possibilidade de acumulados expressivos entre o centro-norte de MG e do ES e o centro-sul da BA. Nas demais áreas do país o tempo seguirá dominado pelo padrão de escoamento em altitude e pela termodinâmica, no entanto a partir da terça-feira (28/03) a chuva deverá diminuir de intensidade em áreas do MA, PI e CE, em relação aos últimos dias.

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